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Henrique Furtado (Residência)

Maio 4 - Maio 9

Diálogos (Título provisório)

Esta peça não tem início nem fim. Uma pessoa dialoga. Três pessoas dialogam. Infinitas entidades dialogam.

Que forma deste a estes diálogos? Um paraquedas colorido. Consideras-te uma forma ou um evento? Sinto que tenho uma forma, mas esta está em constante mutação desde que fui concebido. O evento da minha vida é a vida da minha forma. Com que forma nasceste? Todos nascemos esferas. Mas depois os nossos contornos vão se tornando cada vez mais angulares. Alguns, os mais quadrados, tornam-se cúbicos. Um cubo é uma esfera militar. Porque é que as coisas têm contornos? Porque as coisas são aglomerados de matéria que ao atingirem o seu limite gravitacional de aglomeração ganham “contornos”. Então sem gravidade, não haveria contornos? Não, porque não haveria olhos. Porque é que os palhaços não têm pais? Porque são demasiados os Eus dentro dum só palhaço. Quem é que dentro de mim me decide dançar? O que está fora da tua perceção. Quem é que fora de mim me decide dançar? O Big Bang, o Sagrado, a escuridão, os eclipses e a quarta dimensão. Como chegar à quarta dimensão? Provavelmente com uma corpovisão do universo. Um erotismo cósmico. Não sou lá muito erótico… experimenta mergulhar noutras escalas. No que está fora do teu alcance. Alcance de quem? Do ser humano… do artista… Mas principalmente do espetador. Gostas de adivinhas? Muito. Mesmo quando não encontras respostas? Sobretudo quando não encontro respostas. Porquê? Sou um ilusionista do gesto. Um mágico? Mais ou menos. Um mágico sem acessórios. E ainda assim sacas coelhos da cartola? Coelhos metafóricos, sim. E além dos coelhos? O gesto. O corpo. O fumo. [suspensão] Se pensarmos no espaço como sólido, os corpos são como vazios nesse espaço. Quem é que disse isso? Eu. E o Tony Smith. E muitas outras pessoas que também dialogaram com o Tony Smith. Comigo, queres tu dizer. Sim, contigo, Tony Smith. Como te chamas tu? Tony Smith. Porque andas em círculos? Porque os palhaços vivem num círculo. O que é uma ideia? É um preconceito. O que é uma ideia? É um preconceito. O que é uma ideia? Um contorno provisório. O que é uma ideia? Um lugar onde o tempo está suspenso e em expansão. Como o Big Bang. E esta peça, é sobre o quê? Sobre ti. Sobre mim. Sobre adiar o fim do mundo.

Concepção e direcção artística Henrique Furtado Vieira
Performance e co-criação Catarina Vieira, Leonor Mendes, Sérgio Diogo Matias
Desenho de luz, direcção técnica e espaço cénico Hugo Coelho – Aldeia da Luz
Sonoplastia João Bento
Figurinos Rita Álvares Pereira
Assistente de figurinos Ana Sofia Vicente
Cenografia Rita Pico
Olhar exterior Joclécio Azevedo
Participação especial Maria Antónia Matias, Marta Vieira, Tomás Mendes
Coordenação e produção Cátia Mateus
Administração Vítor Alves Brotas | Agência 25
Co-produção CCB – Centro Cultural de Belém
Residência de co-produção Espaço do Tempo
Residências e apoio Forum Dança, O Rumo do Fumo, Pro.dança, Câmara Municipal de Lisboa /
Polo Cultural Gaivotas | Boavista
Agradecimentos a Marta Ramos, Sofias Dias, Vítor Roriz

Projecto financiado por República Portuguesa – Cultura | Direcção-Geral das Artes

HTTPS://HENRIQUEFURTADO.CARGO.SITE/

Detalhes

Início:
Maio 4
Fim:
Maio 9
Categoria de Evento:
Etiquetas de Evento: